
Nem todas as palavras do mundo
são suficientes para decifrar o valor de um acaçá. Basta admitir que os
segredos estão nas coisas mais simples para ver que muitos julgaram
insignificantes, a comida mais importante do candomblé, banalizando o sagrado e
privilegiando a intuição em deterimento do fundamento. Fato é que quem não faz
um bom acaçá, não pode ser considerado um bom conhecedor de candomblé; pois, as
regras e diretrizes da religião dos Orixás nunca foram ditadas pela intuição.
Constituem grandes fundamentos "cristalizados" ao longo de anos e
anos de tradição.
Aqui o grande fundamento é que o
sangue dos animais jamais pode jorrar sobre os igbás sem a presença do elemento
pacificador, pois, o acaçá simboliza a paz. Quando ofertado e retirado do seu
invólucro verde, tornando-se a comida de Oxalá que agrada a todos os orixás, a
primeira oferenda que deve ser colocada diretamente no assentamento, juntamente
com o obi e a água, antes de qualquer sacrifício. O acaçá deve permanecer
fechado,imaculado até o momento de ser entregue ao Orixá, só então é retirado
da folha. É como se o sagrado tivesse que ficar oculto até a hora da oferenda, prova
de que o segredo é quase sempre um elemento consagrado.
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